Balada Para Uma Noite de Núpcias
Olhei-te, e tu viste-me.
Fiz-te um sinal, repleto de descrição e sobriedade.
Tu piscaste-me o olho.
Pulei de alegria. Tu fizeste o mesmo.
Então, impaciente, medi a distância que nos separava. Não vi receio no teu olhar, apenas um olhar de cumplicidade.
Entusiasmado, saboreei de antemão o tão desejado instante. Na tua boca aveludada, a saliva tornava o teu desejo mais ardente, e o meu mais selvagem.
E então, sem me conter mais, lancei-me loucamente contra ti, de músculos tensos e coração acelerado, e tu, ó minha Musa da perfeição, acolheste-me nos lábios sequiosos da tua boca vermelho-rubi.
Atingi o Éden quando senti as fibras do teu corpo tocarem o meu, e ao contacto inadiável das nossas carnes seguir-se o êxtase da saciação.
Quando o Sol se pôs no horizonte, a leoa acabava o seu repasto, levando ainda, entre os seus dentes acerados, os restos daquilo que fora o meu corpo.
Ah, como eu era perdido por leoas!

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